Solidariedade Obras entram, agora, numa nova fase e os promotores apelam (novamente) à solidariedade para que seja possível concretizar a construção desta nova casa

Do campo dos sonhos para a esfera da realidade. É este o objectivo do Castanheira Renasce.
Um projecto que nasceu no “rescaldo” dos incêndios do Verão de 2017 – que vitimaram 64 pessoas e que teve um maior impacto em Castanheira de Pera, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos – e que deixaram várias pessoas desalojadas.
Quem se esquece daquela (negra) imagem de carros carbonizados no meio de uma estrada, numa tentativa infrutífera e fatal de escapar às chamas? É nessa mesma estrada, a poucos metros de onde dezenas de pessoas perderam a vida que a família Fernandes quase perdeu a casa. O tecto desapareceu e com ele a esperança. Mas todos estavam bem e de saúde. É nessa altura que, de Aveiro, a algumas quilómetros de distância, surge um projecto que tem um único propósito: ajudar esta família a ter um novo tecto e a ver renovada a sua esperança.
Já “muita água” passou por baixo desta ponte e, de uma ideia e vontade de ajudar, passou-se à prática. Estabeleceram-se parcerias, deu-se início ao projecto de arquitectura, caderno de encargos e pôs-se a “mão na massa”. Literalmente. Parece muita burocracia, mas era necessária, porque pese embora se pudesse apenas restituir o espaço existente à família e reconstruir a casa, os mentores deste projecto – com a empresa aveirense Smart Vision à cabeça – foram mais longe e decidiram aumentar o espaço habitável da casa e esta ampliação do edifício, para além de conferir mais espaço e dignidade à família, implicou uma arquitectura e esforço financeiro diferentes. O investimento em causa ronda os 126 mil euros.
Actualmente – e depois de uma visita ao local na passada segunda-feira – toda a estrutura da habitação está feita. Tijolo a tijolo, viga a viga, as paredes e tecto da habitação estão concluídos. Mas não está terminada a obra. Falta a parte das especialidades, como tudo o que envolve água, electricidade e esgotos, segundo relatou Sérgio Chéu, presidente da Smart Vision e responsável pelo projecto ao Diário de Aveiro. Depois desta visita ao andamento da obra, o empresário salientou que, ape sar de satisfeito com o facto de já terem avançado na execução da construção, ainda há muito a fazer e para concretizar tudo é necessária ajuda e apoio.

Muitas empresas se associaram, entretanto, ao projecto (num total de 53 empresas) – que conta com a parceria do Diário de Aveiro desde a primeira hora – como o Ikea, os Armazéns Reis, a Cruz Vermelha, a Ferrum Serv, o Stand Frigi, a AutoRia, a Expo Europa, a HM Motor, a António José Silva Rios, Lda., a AMCO, intermediários de crédito, Lda., a Go Welcome, a Mário Eurico de Almeida Matos, Unipessoal, Lda., a APM – intermediação de créditos, Unipessoal, Lda. e a Lislif. Ainda assim, o responsável salientou que “esta vontade de novas empresas e de outras que já se tinham associado, os recursos coligidos até ao momen – to não são suficientes”. É necessário material e verba para a infra- estruturação das especialidades, nomeadamen te rebocos, madeiras, alumínios e cerâmicos ou ainda mobiliário ou tintas e electrodomésticos.
Quem quiser ajudar – financeiramente ou com materiais específicos – devem contactar os mentores do projecto, cujos contactos podem ser consultados em http://castanheirarenasce.com/

– Ana Sofia Pinheiro

Notícia do Diário de Aveiro, 14 de Março 2019 – capa e página